terça-feira, 4 de julho de 2017

Review Livro O que há de estranho em mim


          Os pais não tem a verdade absoluta das coisas, ninguém tem, e por mais que pensávamos isso quando criança e talvez pensamos isso agora, essa é uma verdade infindável. Há os rebeldes que sempre souberam disso, mas há aqueles (como eu) que realmente acreditavam que tudo que os pais diziam estava certo e que a decisão que eles tomassem para nossa vida era a melhor de todas. Nesse livro vemos isso se tornar real da pior forma possível e faz um paralelo com o enclausuramento e a falta de amparo pela família e pelas instituições sociais.
                 O que há de estranho em mim conta a história de Brit, uma menina que é internada a força pelo pai numa instituição com métodos bem suspeitos.
                   Brit é uma menina de 16 anos como qualquer outra, mas seu visual Rock in roll e sua atitude rebelde assusta seu pai. Ela faz parte de uma banda e é apaixonada por um dos integrantes, quase não tem nenhum amigo e vive com seu pai, sua madrasta (que ela odeia) e seu irmãozinho. Sua mãe teve problemas psicológicos e sumiu de casa. E esse é o principal motivo para o pai ter internado ela, sua personalidade parecida com a mãe e o medo de acontecer a mesma coisa com ela.
                    Quando Brit chega nessa instituição, que é uma espécie de hospital, manicômio e escola, ela nota que algumas das outras meninas tem problemas banais como os dela, problemas que não precisariam de uma internação naquela clinica, apenas uma boa conversa familiar. Porém há problemas graves como bulimia, anorexia, depressão e etc... Mas esse lugar trata todo tipo de problema com greve de fome, trabalho pesado e reuniões em grupo criadas para oprimir umas as outras. 


              Os próprios responsáveis pela instituição e pelas reuniões, como o “xerife” abusam de seu autoritarismo. Escondem cartas enviadas pelos familiares e as humilham e cutucam feridas abertas nessas reuniões de maneira insensível. Eles fazem de tudo para afastar as meninas uma das outras para que elas não criem vínculos de amizade. Esse isolamento é tido como parte da terapia, mas isso não impede que Brit crie amizade com um grupo de meninas maravilhosas. Cada uma com sua personalidade e seu problema pessoal, mas todas se completam e se ajudam. E Esse grupo vai lutar para derrubar esse sistema carcerário apelidado de terapia, isso se torna o fio condutor da narrativa.
            Um dos maiores empecilhos para a liberdade delas é que os pais não acreditam nelas, e essa é a maior critica social do livro, como os pais não conversam e não dão a mínima para os problemas dos filhos e passam a responsabilidade para outros. E isso acontece na maioria das famílias no mundo todo. Os pais não procuram sentar para entender os problemas dos seus filhos e ajuda-los. Quando o assunto é grave como abuso de bebida, droga, algum distúrbio alimentar, depressão ou outra doença eles devem sim procurar ajuda profissional, mas sempre com uma boa conversa primeiro.
                 O Que Há de Estranho em mim é um ótimo Young adult, com uma linguagem muito simples que ajuda os adolescentes e jovens a compreender as questões que a autora Gayle Forman (de Se eu ficar) tentou passar. Aposto que devem existir lugares com métodos cruéis similares ao do livro, internatos e clinicas que só potencializam as adversidades das pessoas. Alguns personagens e diálogos são bem clichês, mas nada que nos faça gostar menos da leitura, até por que o objetivo da leitura é abrir os olhos para os problemas dos mais jovens. 

Um comentário:

  1. Olá!
    Eu já tinha visto esse livro, mas ignorava do que se tratava. Gostei da sua resenha, mas acho que no momento não estou na vibe para esse tipo de leitura. Deixarei ele anotado como dica para, quem sabe, mais pra frente.
    Bjos!

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