sexta-feira, 21 de julho de 2017

review livro e filme Persépolis


          Historias baseadas em fatos reais costumam encantar os leitores por conta da humanidade que traz para seus personagens, afinal, por mais tristes que sejam essas narrativas e por mais que pareçam fictícias em alguns momentos graças a situações pesadas elas trazem um novo viés de uma diferente realidade da nossa. Em Persépolis conhecemos uma cultura completamente diferente e vemos o crescimento de uma menina que mesmo falando uma língua diferente e tendo outros costumes ainda vemos conflitos semelhantes com os nossos.
           Persépolis é um romance escrito em francês que acompanha a vida de Marjane Satrapi da infância até a vida adulta.
               Esse não é um livro propriamente dito, na verdade é uma HQ e Marjane ficou conhecida como a primeira iraniana a escrever histórias em quadrinhos e por causa dos dogmas religiosos e o regime opressor do irã nos assustamos com a sinceridade que a vida dela é retratada. Desde a infância Marjane sempre teve opinião forte e pensamentos políticos, sempre querendo criar retaliações e revoluções. Mas mesmo sendo má algumas vezes com seus coleguinhas no fundo sempre foi uma boa menina.
             Marjane morava com seus pais e sempre recebia a visita da avó. E seus familiares eram revolucionários também, seus pais sempre estavam protestando e lutando contra o regime opressor do Irã. Isso causou um grande impacto na vida da menina, fazendo dela uma lutadora também.
              Através das notícias nós temos uma visão superficial do que se passa no irã mas o livro é bem didático ao nos dar uma luz com relação a verdadeira situação do pais. Vemos na HQ quando as mulheres começaram a usar o véu e como as coisas ocidentais eram proibidas no país. Comerciantes ilegais vendem fitas cassestes de artistas americanos como se estivessem vendendo drogas. As mulheres não podiam usar calças muito apertadas e nem muito largas por que se não estariam dando motivos para os homens terem pensamentos pecaminosos. Não podiam usar maquiagem e nem um fio de cabelo a mostra.


          Se aqui no Brasil achamos um absurdo pessoas que justificam o estupro por causa da roupa das mulheres, lá no irã um tornozelo a mostra ou um lápis de olho são motivos suficientes para o ato e também para a prisão e a tortura de mulheres. Enquanto os homens podem andar da forma que quiserem, com calças tão justas que é possível ver as genitálias e não são penalizados por isso.
           A menina vai para a Europa para ter melhores condições de vida e lá sua mente expande mais ainda. Ela começa a andar com pessoas com os mesmos pensamentos que ela e aprende outros costumes. Adquirindo até certos hábitos ruins por causa delas. Continua sendo a mesma menina de temperamento forte e por isso pula de casa em casa até voltar para seu pais. As experiências dela na Europa foram tão cruas que se tornaram desanimadoras, porém foram as coisas ruins que a proporcionaram maturidade e uma visão melhor da vida. Não foi tudo um mar de rosas, muitas coisas más aconteceram com ela, mas de tudo dá para tirar um aprendizado, e a autora não tenta romantizar esse aprendizado, ele é apenas captado pelo leitor.
           Em 2008 a HQ teve uma adaptação cinematográfica escrita e dirigida pela própria Marjane e é bastante fiel, com traços tão simples e ao mesmo tempo tão belos quanto os que vemos na HQ. Ambos são em preto e branco e a trilha sonora do filme é belíssima, assim como os efeitos de transição que foram muito bem empregados. A personagem criança no filme consegue ser mais engraçada que a do livro e diverte com seu jeito autoritário.
            Persépolis é sobre uma menina que não é perfeita, que fez muitas besteiras durante a vida, tomou várias decisões equivocadas, como acusar um homem inocente ou se casar por impulso, por exemplo, mas é uma narrativa em forma de quadros tão humana e tão deliciosa que nos pegamos rindo e brigando com ela ao mesmo tempo que nos inspiramos nela. É uma HQ e um filme que figuram nas listas de melhores leituras e filmes já lidos/assistidos. 

2 comentários:

  1. Ah que demais essa postagem, eu realmente não sabia que tinha filme e isso me surpreendeu, assim que tiver um tempo irei assistir e ler também, sei que tem muito a me revelar.
    Beijinhos

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  2. Olá, tudo bem?

    Que história! Fiquei curiosa para ler. Não sabia que essa obra/HQ existia e tem muito a nos mostrar. Espero ler em algum momento.

    Beijos

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