terça-feira, 20 de junho de 2017

Review Mulher Maravilha


          A mulher maravilha sempre foi a maior heroína de todas, ícone da força e da independência da mulher e por isso quando pensamos na demora que foi vê-la na telona vemos mais um vestígio da falta de confiança de hollywood em filmes protagonizados por mulheres. Ainda bem que essa falta de confiança caiu por terra depois da estreia de Wonder Woman por causa dos ótimos números de bilheteria e das ótimas criticas. É uma alegria saber que as meninas dessa geração conhecerão ela e se espelharão nela.
                 O filme acontece muitos anos antes da aparição de Diana em Batman vs Superman e mostra como ela descobriu seu poder e saiu da ilha onde vivia para lutar na 1° guerra mundial.
                 O primeiro ato do filme com a apresentação de Diana, sua mãe, sua tia e as amazonas na ilha de themyscira é espetacular. Com uma paleta de cores vivas e um visual paradisíaco belíssimo, mas são as mulheres que atraem os olhares. Elas treinam assiduamente para quando o rei da guerra, Ares, volte elas tenham como enfrenta-lo. A animação empregada para ilustrar a criação das amazonas e como aconteceu a luta entre Ares e Zeus é magnifica, apesar de já ter sido utilizada.
                Nesse momento vemos Diana quando criança, louca para começar seu treinamento. Ela somos nós ao sair do cinema querendo dar golpes e lutar como aquelas mulheres. Somos levados ao deslumbramento pelos olhos daquela criança, nos sentimos como uma. Ao crescer, ela descobre que não é uma amazona comum, ela foi criada para um proposito maior e quando ela parte com Steve travor ficamos na duvida se queremos isso ou não, pois aquele universo da ilha está bom demais de conhecer.
             As alfinetadas feministas já começam a caminho do “mundo dos homens” quando Diana comenta que precisamos dos homens para reprodução, mas não para o prazer que pode ser alcançado sozinho. O que remete ao momento ainda em Themyscira quando ela vê Steve nu e apesar de nunca ter visto o que viu não se impressiona. Minha mãe comentou do meu lado no cinema “imagina viver em uma ilha só de mulheres, sem um homem, quando elas veem um vão ficar loucas” e não é isso que acontece, elas não são como cachorras no sio, ver ele é como ver qualquer pessoa, elas não ficam desesperadas. O sexo parece ser algo completamente descartável para elas.
                  Já na antiga Inglaterra, com suas cores escuras (bem DC) as alfinetadas continuam, diante da curiosidade de Diana com esse mundo completamente diferente onde mulheres usam roupas desconfortáveis, são tratadas como escravas em suas profissões, não são aceitas em reuniões importantes e como elas não são levadas a sério. 


           E o filme não aborda apenas o machismo, mas o racismo também, quando Steve trás para sua equipe três amigos, um deles um índio que apesar de amar Travor reconhece as atrocidades que os europeus fizeram com seu povo, e outro que sonha em ser ator, mas sabe que sua cor de pele o impede disso. E sabemos que atores negros, latinos e outros estrangeiros enfrentavam uma rejeição enorme em hollywwod, se hoje em dia ainda enfrentam preconceito, imagina em 1918.
          Além dessas questões sociais que precisavam ser debatidas, outros fatores também ajudaram a tornar o filme grandioso. Apesar de abusar das câmeras lentas e dos visíveis CGIS empregados nas cenas de pulo, as cenas de ação são belíssimas. A cena do combate na praia de Themyscira e em uma das cenas onde o tema musical da mulher maravilhosa é usado como plano de fundo são bastante empolgantes. O embate final foi bem arrastado e o vilão (que consegui prever quem era) não foi nada convincente. Mesmo o ator sendo muito bom.
           Quanto ao restante do elenco, todos são ótimos, com destaque para Robin Wright como a tia Antiope, a mãe da mulher maravilha Hipólita interpretada pela Connie Nielsen, Chris Pine como Steve Trevor e claro a Gal Gadot como a nossa Mulher Maravilha.
Chris é um ótimo ator e tem um tempo muito bom para a comédia, aqui ele exercita esse lado e dá espaço para Gal brilhar, seu personagem não se importa com Diana no controle e muitas vezes até prefere isso. Gal não é a melhor atriz do mundo, mas encarna perfeitamente a heroína, você acredita na força e na habilidade dela (seu treinamento militar em Israel a ajudaram bastante) em nenhum momento você preferia que tivesse outra atriz no lugar dela. Ela está fisicamente mais adequada ao papel depois que muitos reclamaram da sua magreza em Batman vs superman, (como se isso fosse relevante).
            O roteiro é um clichezão completo, mas não incomoda por isso. É a típica historia do herói de coração bom que quer salvar o mundo. Sim pela descrição parece até que estou falando de certo herói da Marvel. Quanto a direção de Patty Jenkins, vemos seu esforço e sua alma no projeto, ela ainda não é uma Katerine bigelow mas consegue acertar nesse projeto. Nenhum homem teria acertado como ela acertou, sua visão como mulher deu muito sentido a trama.
            Mulher Maravilha não inova na historia de origem da heroína e tem um vilão tão fraco que é quase inexistente, deixando a vilania a cargo dos homens e mulheres da vida real que matam, maltratam pessoas e animais e criam armas genocidas. Mas o filme surpreende na direção, no elenco, na trilha sonora, no figurino e principalmente nas mensagens que se propõe a passar. A do amor é bem piegas mas funciona. Mas a melhor é a do empoderamento feminino (que alguns negam ou ignoram a existência) se esse filme fosse feito anos atrás eu não precisaria ter um homem como minha inspiração e como meu herói preferido (o Homem aranha) pois por mais que  conheçamos a personagem através dos desenhos, da série e das HQs, uma adaptação cinematográfica é grandiosa e tem o poder de alcançar um publico muito maior. Sorte das meninas que assim como Diana crescerão confiantes e empoderadas. 

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